LISBOA, 2017
Lisboa vai morrendo sepultada
sob montes de lixo dos turistas.
Já não se fala português nas ruas:
só alemão, francês, inglês da moda
americana de palrar, mais prática.
Lisboa refugia-se na saudade,
toda votada à inf’licidade
de vil usura que suga e que saca.
Colónia e lixeira da Europa,
Lisboa vende o seu perdido império
aos turistas: abutres com dinheiro,
que aviltam a cidade do poeta.
(pág. 115)
