“Divagação sobre a máscara ou a própria máscara — dir-se-á da obra literária de Oscar Wilde em muitos dos seus momentos. E na «Verdade das Máscaras», ensaio seu de 1885, lê-se a frase que as defende como oportunidade e as destina a uma superior intervenção no teatro: «As verdades metafísicas são as verdades das máscaras». Oscar Wilde consente-lhes a função do rosto sobrecarregado por verdades impossíveis ao suporte orgânico do actor; e que a sua leitura (inteligente, exterior) seja o sublime prolongamento da expressividade corporal, suporte de um conhecimento além-corpo-e-talento ou chave da câmara secreta que encerra — sempre — uma explicação satisfatória da personagem. Trata-se, pois, de uma aliança entre o leitor da máscara e o seu criador, de um pacto em que ambos vão interrogá-la de frente.”
Aníbal Fernandes
