“A montanha inclina-se por um segundo. Nenhuma das suas pedras sorri. Se pretendes alguma recompensa pelo que fazes, lavar a loiça ou tocar Chopin, então mais vale não fazeres nada: fracassaste, mesmo antes de tentares, na mais absoluta obra-prima da loiça, ou do pulmão dos anjos. Chopin é uma inalação para anjos asmáticos, esses hiper-sensíveis polvilhados sobre a terra desde o nascimento até à morte – porque os anjos nascem e morrem tal como o Buda, as tartarugas e nós. Mas estou a divagar. Se pretendes louvores, fica na cama: ao menos aí podes esperar fazer de um sono uma obra-prima inédita.”
(pág. 11)
