O DESASTRE GOSTA DE TOMAR
a forma das tuas pernas
para envolver-me melhor.
Reparo nas minhas unhas roídas nos cantos,
na pele infectada,
nos dentes amarelados
no lixo acumulado no quarto
e pergunto-me:
como será a tua cara hoje,
enquanto o teu cabelo liso e louro
continua a tecer-te um casulo dourado
desde a altura do Natal,
dentro da minha arca congeladora?
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