Moringue Vazio Não Carrega Só Vento

18.00

Este projeto de exposição e publicação nasceu de um convite da Galeria Plato Évora com um único requisito: estar ligado à cerâmica. Como tantas vezes faço, comecei por olhar para a minha coleção. Escolhi o moringue como tema e desafiei 27 artistas, de diferentes gerações e geografias, a criar um exemplar cada um.

O moringue não é apenas um objeto funcional. A sua forma, com dois gargalos – um para beber e outro para servir – remete-nos para um gesto de partilha. A sua presença no campo, levado por homens e mulheres para o trabalho agrícola, inscreve-o numa prática de comunidade: o moringue serve, refresca, conserva. E hoje, resiste.

“Moringue vazio não carrega só vento” é a celebração de um objeto que mesmo desprovido da sua função original, carrega a memória dos gestos e a história de quem o moldou. Carrega também a vontade de o manter vivo e é desse ânimo que nasce também desta nova publicação em colaboração com a Maria Manuela Restivo.

Visitámos várias coleções privadas e museológicas, reunindo exemplares antigos de moringues de várias regiões de Portugal. Do Minho a Trás-os-Montes, passando pela Beira Alta, Lisboa, Oeste, e claro, o Alentejo, a justaposição destes objetos históricos com as peças criadas agora por artistas contemporâneos permite-nos ver, lado a lado, as permanências e as transformações. É uma forma de homenagear o moringue – e de o libertar das amarras da tradição.

Trazer o moringue ao presente é, também, lançá-lo para o futuro. Não como relíquia, mas como símbolo de outras formas de estar e de partilhar. E se já não transporta água, talvez transporte essa ideia.

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Descrição

Moringue Vazio Não Carrega Só Vento
Felipa Almeida
Maria Manuel Restivo

Livros do Alhures,2025
104p.
9789893630303

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