«A narrativa visual deste fascículo, constituída por fragmentos de diferentes edifícios construídos em Moçambique durante o Estado Novo, tem como base o arquivo fotográfico de Elisiário Miranda. Este arquivo tem sido desenvolvido no âmbito da sua investigação pós-colonial, assente na premissa de que a arquitectura moderna era, para lá da representação do poder do Estado colonial, um veículo de segregação racial e social comprovada na leitura de programas e desenhos.
Esta “culpa da arquitectura” poder-nos-ia, por si só, inibir de o publicar não fosse a questão uma pouco mais complexa. Revemo-nos em Michel Foucault quando afirma que não há propriamente uma máquina opressora ou libertadora, defendendo, simultaneamente, que a mesma arquitectura pode servir diferentes propósitos (por exemplo, as qualidade panóticas do Familistère de Guise poderiam igualmente servir de prisão) e, neste sentido, culpar a arquitectura do que quer que seja é desconsiderar que “a garantia de liberdade só existe com uma prática de liberdade” (…)» Pedro Bandeira, 2019



