A carregar Eventos

« Todos os Eventos

  • Este evento já decorreu.

Fabriqueta – Eduardo Matos

Fevereiro 28, 2025 @ 7:00 pm 8:00 pm UTC+0

Um excerto da entrevista a Eduardo Matos por Inês Moreira 

Estas coisas levam tempo (e devolvem aos lugares)

Inês: A entropia, a nostalgia e a ruína são imaginários da tua criação artística que, em vez de criarem imagens apocalípticas, se tornam em forças subtis de ressignificação dos sítios, da matéria, dos objetos através do trabalho plástico – é essa presença que atravessa os pequenos objetos que recolhes e crias, como a lama ou as madeiras. 

Eduardo: Sempre tive interesse no peso que o tempo tem em certos acontecimentos naturais e humanos, gosto de observar essas transformações e imaginar o que aconteceu e o que pode vir a acontecer. Tenho um particular interesse por paisagens desvalorizadas e tidas por inestéticas, existe nelas uma projeção mental do tempo que parece caminhar a passos largos para o seu fim e depois algo acontece e surge outra coisa. Observar isto chega a ser cômico. De alguma forma tudo isto que vejo, que guardo na memória, vai-se organizando em desenhos e objectos, que são quase sempre ensaísticos, mas também se referem a coisas simples, como uma rocha, uma lagartixa ou uma águia.

Inês: Mas também esta explosão de cor que os teus desenhos nos trazem, a mosca, as águas turvas, os cabos elétricos. Como acontece a composição dos desenhos, a justaposição, as camadas, como estão a entropia e a ruína presentes na criação?

Eduardo: O meu traço é quase sempre contido e preciso o quanto baste, trabalho com lápis e com réguas iguais às dos meus filhos. Não me dou muito bem com acontecimentos imprevistos na folha e quando isso acontece, guardo o desenho e fico à espera de compreender o que é que se passou, também não corro, não me apresso. Resultado:, produzo muito pouco. Um dos últimos desenhos que fiz para a “Fabriqueta”, ao qual acrescentei uma base, um vidro e dois objetos em plena montagem, tem como imaginário os rios e as estruturas que o homem constrói para os conter, para os desviar do seu rumo natural. Dei comigo a imaginar essas estruturas, essas forças, esses movimentos e desvios e pensei como tudo isso daria um belo desenho.

Livro A FABRIQUETA, Eduardo Matos
Edição do Centro Internacional das Artes José de Guimarães e da Inland Journal Associação
Design gráfico: Barbara Says

FORMATO
Fechado: 170 x 240 cm
TIRAGEM: 300 exemplares
Nº de páginas: 192 páginas
Papel: Arena Natural Smooth 120 gr
Impressão: Offset 4/4