«O ano que os gafanhotos comeram apresenta-se como um diário de leitura, onde três discursos se entrecruzam e se servem mutuamente: a voz de um manuscrito original, a voz de um narrador que comenta o manuscrito, a voz das citações que alimentam e fundamentam o manuscrito. Num tom sempre sóbrio e elegante, ̶M̶i̶g̶u̶e̶l̶ Bonneville traça os gestos psíquicos destes diferentes registos, com pondo um objecto híbrido, tão rigoroso quanto sedutor. O livro move-se por um impulso de deslocação, que o próprio autor formula assim: “a finalidade não é ganhar, é simplesmente chegar a outra dimensão.”»
[Júri da 4.ª edição do PRÉMIO VS. – Ernesto Sampaio, 2025.]
