Poemas Tardios – Henrique Segurado

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Henrique Segurado

“A INVEÇÃO DO MUNDO

Fechei o passado à chave
Para ver bem o futuro.
De que me vale ser árvore
Que não tem ramo segurado?

É talvez a ventania
Que nos levanta a caliça
E que nos põe a divisa
Na geração da preguiça!

Sou cachorro obediente,
Nada ganho com o contrário.
Como cão inteligente
Faço de cão ordinário.

Já fui pastor de rebanhos
Que enchiam bem a paisagem.
Sou floresta sem ramos
Chegando ao fim da viagem.

Apenas um arquitecto
Se atrevia a construir-me,
Porém neto dilecto
Me emprestou seu modo de rir”.

(p.89)

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Descrição

Poemas Tardios
Henrique Segurado
inclui duas fotografias de Henrique Pavão
arranjo gráfico de Pedro Santos
Averno, 2022